quinta-feira, 2 de maio de 2019


Operon Lac
Introdução:
O principal açúcar do leite (lactose) pode ser uma grande fonte de energia para bactérias E. coli, que através do operon lac, um grupo de genes que codificam proteínas, possibilita que a E. coli utilize a lactose como fonte de energia. Esses genes são transcritos como único RNAm. A bactéria só usará a lactose quando houver carência da principal fonte, glicose.
Para ocorrer este processo, são necessárias duas enzimas, beta-galactosidade e permease. A primeira enzima é capaz de quebrar a molécula de lactose transformando-a em galactose e glicose, servindo-as de fonte de energia. A lactose não é capaz de permear a bicamada lipídica sem uma proteína portadora para leva-la do meio extracelular para o intracelular, no caso, este trabalho fica por conta da permease.


Mecanismo de ativação:
Caso haja glicose disponível, a bactéria E. coli vai preferi-la para quebrar a lactose. A glicose requer menos etapas e menos energia para ser quebrada do que a lactose. No entanto, se a lactose for o único açúcar disponível no meio, as E. coli seguem em frente e a utilizam como fonte de energia.
Para utilizar a lactose, a bactéria precisa expressar o operon lac, que codifica as enzimas-chave para a absorção e metabolismo da lactose. De maneira a ser mais eficiente possível, as E. coli devem expressar o operon lac somente se duas condições forem atendidas:
-A lactose está disponível;
-A glicose não está disponível;
Nesse processo, duas proteínas reguladoras estão envolvidas:
-O repressor lac, que atua como um sensor de lactose.
-A proteína ativadora de catabólito (CAP), que atua como um sensor de glicose.
Essas proteínas se ligam ao DNA do operon lac e regulam sua transcrição com base nos níveis de lactose e glicose.

Estrutura do operon lac:
O operon lac consiste principalmente em três genes estruturais, um promotor, um terminador, um regulador, e um operador.
-lacZ codifica a β-galactosidase, uma enzima intracelular que degrada o dissacarídeo lactose em glicose e galactose.
-lacY codifica a permease de β-galactosídeos, uma permease de membrana plasmática que bombeia a lactose para dentro da célula.
-lacA codifica a transacetilase de β-galactosídeos, uma enzima que transfere um grupo acetil de acetil-CoA a beta-galactosídeos.
Apenas lacZ e lacY são necessários para o catabolismo da lactose, enquanto que a função do gene lacA é desconhecida. Estes três genes estão organizados como um operon, isto é, estão dispostos um ao lado do outro na mesma orientação no cromossomo bacteriano e são transcritos como uma única molécula de ARN mensageiro policistrônico.
A transcrição começa quando a ARN polimerase se liga à região promotora, que se localiza justo a montante (5') dos genes. A partir deste ponto, a polimerase sintetiza uma molécula de ARN mensageiro que inclui a região codante dos três.
Além dos três genes lac, o operon contém ainda um conjunto de sequências de DNA reguladoras. Essas  sequências são regiões do DNA cujas proteínas reguladoras podem se ligar, para controlar a transcrição do operon.
-O promotor é o sítio de ligação da RNA polimerase, a enzima que realiza a transcrição.
-O operador é um sítio de regulação negativa que se liga a proteína repressora lac. O operador se sobrepõe ao promotor, e quando o repressor lac está ligado, a RNA polimerase não consegue se ligar ao promotor e dar início à transcrição.
O sítio de ligação CAP é um sítio de regulação positiva no qual se liga a proteína ativadora de catabólitos (CAP). Quando a CAP está ligada a esse sítio, ela favorece a transcrição ajudando a RNA polimerase a se ligar ao promotor.




Como funciona o repressor lac:
O repressor lac é uma proteína que inibe a transcrição do operon lac. Ela faz isso através da ligação com o operador, que se sobrepõe parcialmente ao promotor. Quando ligado, o repressor lac impede que o RNA polimerase faça a transcrição do operon.
Quando a lactose não está disponível, o repressor lac se liga fortemente ao operador, evitando a transcrição pelo RNA polimerase. Porém, quando a lactose está presente, o repressor lac perde sua capacidade de se ligar ao DNA. Assim, ele se desliga do operador, abrindo o caminho para o RNA polimerase fazer a transcrição do operon.

Proteinas Ativadoras de catabólitos (CAP):
Para a RNA polimerase se ligar ao promotor e transcrever o operon necessitam-se da presença da lactose, pois assim o repressor lac perde a capacidade de ligar-se ao DNA. Mas onde entram as CAPS? É sabido que as RNA’s polimerase não se ligam bem sozinhas ao promotor do operon lac, tendo um baixo rendimento nas transcrições. No intuito de aumentar o numero de transcrições, é adicionado a CAP. As caps são proteínas diméricas com duas subunidades idênticas de 22kd, e essas subunidades possuem um domínio de ligação no DNA e a AMPc. Em Bactérias, o AMPc liga-se ao cap, formando um complexo capaz de estimular as transcrições.


Bibliografia:
Nelson, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. Porto Alegre: Artmed, 2011. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

KHAN ACADEMY. O operon lac. [S. l.], 2016. Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/biology/gene-regulation/gene-regulation-in-bacteria/a/the-lac-operon. Acesso em: 2 maio 2019.

CONTROLE da expressão gênica em procariontes. [S. l.], [21-]. Disponível em: http://labs.icb.ufmg.br/lbcd/grupo7/iniciar/aulaexp/exp1-2.html. Acesso em: 2 maio 2019.

BECKWITH, Jonathan R. Regulation of the Lac Operon. Science, [S. l.], 5 maio 1967.




                                                                      
                                                                       O Operon Lac
      
        De forma a facilitar o entendimento do Operon Lac, a Gram.mex lhe convida a resolver no teste no Buzzfeed " Responda essas perguntas sobre o Operon Lac e diremos qual Operon Lac você é" (https://www.buzzfeed.com/piplon/responda-essas-perguntas-sobre-o-operon-lac-e-dire-c8eyx5iz8q). Dessa forma, esperamos passar, de maneira didática, tudo o que você precisa saber sobre o Operon Lac. Abaixo seguem as perguntas, juntamente com o gabarito comentado ; ).  #Gram.mex-se.
  1. O que é o Operon Lac?

A.      É um operon necessário para o metabolismo e transporte de enzima em E. coli.
B.      É um operon necessário para o transporte de enzima em E. coli.
C.      É um operon necessário para o transporte e o metabolismo de um dissacarídeo em E. coli.
D.     É um operon necessário para a fosforilação de lactose em E. coli.

Resposta letra C.

O operon lac contém genes que codificam proteínas envolvidas na absorção e no metabolismo de um açúcar em particular, a lactose. Os operons permitem que a célula expresse, com eficiência, conjuntos de genes cujos produtos são requeridos simultaneamente.
OBS.: Lactose é um dissacarídeo (açúcar).

  1. Quem descobriu o Operon Lac?

A.      Jacob e Monod.
B.      Frederick Griffith.
C.    Johannes Miescher.
D.     Robert Hooke.

Resposta letra A.

Jacob e Monod realizaram experimentos importantes sobre a regulação gênica em bactérias, o que culminou na concepção do operon em 1961. Eles realizaram esse experimento com o sistema lac da E. coli.

  1. Quais são os três genes estruturais do Operon Lac?

A.      C+, J+ e M+.
B.      X+, Y+ e Z+.
C.      A+, B+ e C+.
D.     Z+, Y+ e A+.

Resposta letra D.

Denominou-se os três genes do Operon Lac como Z+, Y+ e A+.






44.       - O que o gene lacZ codifica?
A.      lacZ codifica a β-galactosidase
B.        lacZ codifica a transacetilase de β-galactosídeos.
C. lacZ codifica a transacetilase de α-galactosídeos;
D. lacZ codifica a galactosídeo-permease

Resposta letra A
O gene lacZ codifica a enzima β-galactosidase, que realiza a quebra da lactose em monossacarídeos.  Enquanto o lacA codifica a transacetilase de β-galactosídeos que realiza a ligação de um grupo químico a moléculas-alvo, especificamente ; lacY codifica a galactosídeo-permease. Esses genes são específicos para proteínas que auxiliam a célula a usar a lactose.

  1. Assinale a  alternativa correta sobre o sinalizador produzido pela bactéria E. coli quando há baixo nível de glicose e como ele atua.
A. A CAP promove a ligação do gene lacZ ao DNA
B. O AMPc promove a transcrição se ligando ao gene lacZ
C. O AMPc se liga ao CAP que por sua vez se liga ao RNA
D.O AMPc se liga ao CAP que por sua vez se liga ao DNA

Resposta Letra D
O sinalizador AMPc produzido quando há baixo nível de glicose na E. Coli se liga a CAP, realizando uma mudança da conformação. Desta forma, a CAP passa a ser capaz de se ligar ao DNA, promovendo consequentemente a transcrição, ou seja, há uma ativação do operon lac. É de extrema importância, de modo que sem o AMPc não ocorre a ligação do CAP ao DNA.

  1. O que é  o promotor?
A. É um local(sítio) no qual o DNA  polimerase se liga
B. É o local de regulação positiva onde o DNA se liga
C. É um sítio de regulação negativa onde se liga o gene lacY
D. É um sítio no qual o RNA polimerase se liga

Resposta letra D
O promotor é o local de ligação da RNA polimerase, a enzima responsável pela transcrição. Além disso, o promotor controla a transcrição dos genes, transcritos como um único RNAm.


      7 O operon lac, assim como outros operons relacionados com o metabolismo de açúcares, está sujeito ao:
A. Controle único
B. Controle duplo
C. Controle triplo
D. Nenhuma das alternativas anteriores

Resposta  Letra B
Controle duplo: a proteína repressora atua negativamente sobre a transcrição do operon, enquanto o complexo CAP-cAMP atua positivamente, fornecendo as condições básicas para a transcrição.

88.        O funcionamento do operon lac é modulado por dois eventos. São eles:
A. Indução e repressão realizadas pela glicose
B. Indução e repressão realizadas pela lactose.
C. Indução realizada pela glicose e a repressão realizada pela lactose.
D. Indução realizada pela lactose e a repressão realizada pela glicose.

Resposta  Letra D
 Para o funcionamento (transcrição) do operon lac, a lactose precisa inibir a atividade da proteína reguladora ao se ligar a ela. E na presença de glicose (mesmo que o meio tenha também a lactose), o operon vai ser silenciado, isto é, as proteínas não vão ser produzidas.

  1. Qual a melhor descrição para o repressor lac?
A. Enzima que inibe a ligação do gene lacZ ao DNA
B. É um sítio no qual o DNA  polimerase se liga
C. Proteína que inibe transcrição do operon lac
D. Tipo de indutor que se inibe a ligação ao gene LacY

Resposta Letra C
O repressor lac atua reprimindo a transcrição do operon lac. Essa proteína realiza isso através da ligação com o operador, de modo que, se ligados o repressor impede a transcrição do operon que seria feita pela RNA polimerase, quando não há lactose. Além disso, ele para de atuar  como repressor quando a lactose está presente, se soltando do do operador.

18 .   -  Qual a proteína que se liga ao DNA e auxilia na ligação do RNA polimerase ao promotor, sendo regulada por uma outra molécula(sinalizador) produzido quando há baixo nível de glicose?
A. AMPc
B. CAP
C. ALACTOSE
D. lacZ

Resposta Letra B
 CAP é a proteína ativadora de catabólitos e nem sempre está ativa, ou seja, capaz de se ligar ao DNA. A CAP ligada auxilia a RNA polimerase a ligar-se ao promotor do operon lac.


Bibliografia
x NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. Tradução de Ana Beatriz Gorini da Veiga, et al. 6a edição. Porto Alegre: Artmed Editora S.A, 2014.

x https://pt.khanacademy.org/science/biology/gene-regulation/gene-regulation-in-bacteria/a/the-lac-operon

x  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662010000100005

x https://pt.khanacademy.org/science/biology/gene-regulation/gene-regulation-in-bacteria/a/overview-gene-regulation-in-bacteria

x https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3005481/mod_resource/content/1/BiologiaMolecular_texto08%20%285%29.pdf

Observação!

Gostou mas quer algo mais formal? Nos mande um e-mail (grammex.ifrj@gmail.com) e lhe enviaremos um resumo em PDF sobre o Operon Lac!


Autores: Gram.mex (Caio Henrique Berdeville; Matheus Luckas; Matheus Henrique; Juliana `Pani; Samara)


Operon LAC da Escherichia coli

     Um operon é um conjunto de genes de bactérias (transcrito na forma de um único RNAm), comandado por um operador, ou seja, é uma unidade genética de expressão controlada. Os operons, genericamente, são constituídos por: gene promotor, segmento do DNA que fornece um local para a RNA polimerase se ligar e iniciar a transcrição; gene operador, sítio onde se encaixa a proteína repressora, bloqueando a transcrição; um ou mais genes estruturais que informa(m) ou determina(m) a estrutura da(s) proteína(s) que representa(m) a atividade gênica do operon.
  

Bibliografias:

Operon Lac - Regulação gênica em bactérias

Operon Lac - Regulação gênica em bactérias 😜


        Você já parou pra pensar em como uma célula consegue regular a síntese de proteínas de acordo com a necessidade ou disponibilidade de certas substâncias?
            Bom, sabemos que todas as células de um organismo apresentam o mesmo DNA, no entanto nem todos os genes desse DNA  são expressos em todas as células e nem ao  mesmo tempo. Isso ocorre devido a um fenômeno que chamamos de regulação gênica, que é o processo pelo qual uma célula tanto procarionte quanto eucarionte, regula a transcrição do seu DNA em RNAm.
        Antes das sequências gênicas que serão transcritas em RNA, encontram-se os promotores. Essas estruturas são Essas estruturas apresentam-se como sequências de DNA reguladoras às quais se ligam as moléculas de RNA polimerase. Em eucariotos, cada gene apresenta o seu promotor, porém, em procariotos um mesmo promotor está associado à uma  sequência de genes subsequentes que serão transcritos em um mesmo RNAm, constituindo o Operon.

Estrutura do Operon Lac

            O operon lac apresenta três tipos de genes contíguos chamados de lacZ (z - beta-galactosidase), lacY (y - permease) e lacA (a -transacetilase), cujas suas funções são: 

·                       LacZ: gene responsável por codificar uma enzima (beta-galactosidase) que quebra a lactose em monossacarídeos, fazendo com que haja a possibilidade desses açúcares alimentarem a glicose. 
·      LacY: similar ao lacZ, este gene codifica um transportador de membrana (lactose permesase) que funciona como uma “bomba” transmembrana e auxilia na importação da lactose para dentro da célula. 
·                  LacA: gene responsável por codificar uma enzima (transacetilase) que liga um grupo químico em particular a moléculas-alvo. Não é confirmado se essa enzima de fato desempenha alguma função na quebra da lactose.  


           Sob o controle de um promotor, os genes já citados são transcritos como um único RNAm, que é dito como policistrônico ou poligênicos por possuírem informação capaz de codificar três proteínas: beta-galactosidase, permease e transacetilase (figura 1).


Figura 1. Transcrição do operon lac em RNAm. Fonte: Labs ICB.

Logo após a descobertas dos genes presentes no operon lac, foi constatado um mutante que possuía os genes para expressar as três proteínas descritas, mas o mesmo não conseguia fazer esse processo. Jacob e Monod deduziram que “a taxa de síntese destas proteínas é normalmente governada por um elemento comum diferente dos genes que especificam sua estrutura”. O gene descrito foi nomeado como regulador (gene I), sendo que, os mutantes constitutivos possuem genótipo I-Z+Y+A+ e os selvagens I+Z+Y+A+. O gene I pode codificar um repressor que está ausente/inativo nos organismos com o gene I-.  

 A partir de estudos usando bacterias parcialmente diplóides, através do fator sexual (F’), observou-se que uma bactéria que possuia o genoma i+z- e o fator F’i-z+ não era capaz de metabolizar a lactose – logo, o repressor (produto do gene i) é difundível. 

                Além genes lacI, lacZ, lacX e lacA, o operon lac  também contém um conjunto de sequências de DNA reguladoras. Essas são regiões do DNA às quais proteínas reguladoras podem se ligar, a fim de controlar a transcrição do operon.


Figura 2. Estruturas que compõem o operon lac. Fonte: Khanacademy.


            O DNA do operon lac é composto por (em ordem, da esquerda para a direita da imagem): sítio de ligação da CAP, promotor, operador, gene lacZ, gene lacY e gene lacA. Quando ligada a molécula AMPc (AMP cíclico), a proteína ativadora CAP se liga ao sítio de ligação CAP e faz com que a RNA polimerase se ligue ao promotor. A proteína repressora lac se liga ao operador e bloqueia a ligação da RNA polimerase ao promotor e a transcrição do operon. A molécula repressora, codificada pelo gene lacI, regula a transcrição do segmento de DNA que codifica para as três enzimas envolvidas no metabolismo da lactose. Além disso, uma molécula de RNA mensageiro contendo a informação do DNA determina a síntese das enzimas pela maquinaria de síntese de proteínas da célula. A função da proteína repressora é regular a síntese desse RNA mensageiro.
Figura 2. Operon Lac. Fonte: Princípios de Bioquímica de Lehningher
 



  • promotor é o sítio de ligação da RNA polimerase, a enzima que realiza a transcrição;
  • operador é um sítio de regulação negativa, no qual ocorre a ligação da molécula repressora, o qual é formado por cerca de 25-30 pares de bases do DNA ao redor do sítio de iniciação da transcrição do gene da beta-galactosidase (Z). O sítio operador O sobrepõe-se parcialmente ao promotor do operon, de modo que a presença da proteína repressora ligada a O funciona como barreira à iniciação da síntese do RNAm pela RNA polimerase. Existem evidências de que a polimerase do RNA se liga à região promotora mesmo na presença do repressor, mas ela não consegue iniciar a síntese do RNAm. Assim, o repressor impede a iniciação da transcrição e não a ligação da polimerase do RNA;
  • sítio de ligação CAP é um sítio de regulação positiva no qual se liga a proteína ativadora de catabólitos (CAP). Quando a CAP está ligada a esse sítio, favorece a transcrição, o que auxilia a RNA polimerase a se ligar ao promotor.



Figura 3. Operon lac e seu funcionamento, Fonte: Princípios de Bioquímica de Leningher.
              
             Legenda da figura 3: (a) O Operon lac. O gene lacI codifica o repressor Lac. Os genes lac Z, Y e A codificam b-galactosidase, galactosídeo-permease e tiogalactosídeo-transacetilase, respectivamente. P é o promotor dos genes lac e PI é o promotor do gene I. O1 é o operador principal do operon lac; O2 e O3 são sítios operadores secundários com menor afinidade pelo pelo repressor Lac. A repetição invertida a que o repressor Lac se liga em O1 é mostrada no detalhe. (b) O repressor Lac se liga ao operador principal (O1) e a O2 ou O3, aparentemente formando uma alça no DNA. (c) O repressor Lac (cor salmão) é mostrado ligado a segmentos de DNA descontínuos e curtos (azul e cor de laranja).
             
Agora, vamos nos aprofundar um pouco mais nas proteínas repressor Lac e CAP! 😍

O repressor lac

               

             O repressor lac é uma proteína que impossibilita (inibe) a transcrição do operon lac. Isso ocorre devido a sua ligação ao operador, um sítio ativo posterior ao promotor. Com essa ligação o repressor lac impede que a RNA polimerase continue com a transcrição do operon lac.                 
               Quando a lactose não está presente no organismo bacteriano o  repressor lac se mantém ligado ao operador,evitando assim a  transcrição pela RNA polimerase. Toda via, quando a lactose está presente, o repressor lac perde sua capacidade de se ligar ao DNA. Isso acontece pois junto com a lactose há também um isômero dela conhecido como alolactose. A alolactose se liga ao repressor lac fazendo com que este saia da fita de DNA, ou seja, do sítio operador, deixando assim a passagem da RNA polimerase livre para se realizar a transcrição do operon lac.
                 A alolactose pode ser um exemplo de indutor, uma pequena molécula que ativa a confecção de um gene ou operon.

CAP - Proteína ativadora de catabólitos

                 Quando há a presença de lactose, o repressor lac perde a capacidade de ligar-se ao DNA. Isso abre caminho para a RNA polimerase (enzima responsável pela produção de RNA) ligar-se ao promotor e transcrever o operon lac
            Porém é visto que a RNA polimerase não se liga muito bem ao promotor do lacoperon, até consegue se ligar, mas sem eficácia. Porém com o auxílio da proteína ativadora de catabólitos (CAP), essa situação se altera drasticamente. Tudo isso ocorre devido a CAP se ligar à região do DNA que precede o promotor, assim auxiliando na ligação da RNA polimerase com o mesmo, gerando assim uma alta taxa de condução dos níveis de transcrição.
            A CAP nem sempre está ativa (capaz de se ligar ao DNA), ela é regulada pela AMP cíclico (AMPc), que é um sinalizador produzido pela E. coli somente quando os níveis de glicose estão baixos, fazendo assim que a CAP só funcione com a falta de glicose (figura 4), pois como visto anteriormente é muito mais vantajoso para a bactéria usar como fonte de energia a glicose, devido vários fatores vistos anteriormente. Esse sinalizador se liga à CAP mudando sua conformação e tornando-a capaz de se ligar ao DNA e promover a transcrição intensa.
             
              Por agora, ficamos por aqui. Mas logo, logo voltamos com mais conhecimentos sobre o maravilhoso mundo microbiológico. 

Um abraço, 

Aureus 💛

Referências Bibliográficas 😎

  • KHAN ACADEMY BRASIL. O operon lac. Disponível em: <https://pt.khanacademy.org/science/biology/gene-regulation/gene-regulation-in-bacteria/a/the-lac-operon>. Acesso em: 02 Mai. 2019.
  • LABS ICB. Controle da expressão gênica em procariontes  OPERON LAC. Disponível em: <http://labs.icb.ufmg.br/lbcd/grupo7/iniciar/aulaexp/exp1-2.html>. Acesso em: 02 Mai. 2019.
  • Nelson, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger.  6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  • Regulação gênica em bactéria. Disponível em <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3005481/mod_resource/content/1/BiologiaMolecular_texto08%20%285%29.pdf>. Acesso em 01 Mai. 2019.
  • KHAN ACADEMY BRASIL. Operons e regulação de genes em bactérias. 2016. (7m23s). Disponível em: <https://youtu.be/2VEW-Zlu5zg>. Acesso em: 01 mai. 2019.
  • KHAN ACADEMY BRASIL. Operon Lac. 2016. (6m19s). Disponível em: <https://youtu.be/7_FrhNHBSW4>. Acesso em: 01 mai. 2019.


Operon Lac


MICROBIOLOGIA ACESSÍVEL: O OPERON LAC
  Bom dia, boa noite, boa tarde. Caros curiosos, nós, membros da Bio-Logic(Caroline, Gabriel, Maria Vitória, Moises e Pedro), decidimos trazer para vossas senhorias um assunto interessante, o operon lac, que como o nome induz, é uma operação que ocorre acerca da lactose.
  Lactose, o açúcar proveniente do leite, pode parecer agradável, uma vez que não tem nada melhor para acompanhar uma torrada pela manhã do que um bom copo de café com leite, mas não recomendaríamos comer este açúcar puro, se mantenham com suas refeições diárias completas e apetitosas. Organismos mais simples, como bactérias procariontes por exemplo, não possuem a capacidade de lidar com essa gama de alimentos, logo, para estes seres, a lactose pura é o que tem disponível, então eles aproveitam! E a tarefa do operon lac é exatamente permitir que esse aproveitamento ofereça um custo-benefício agradável para o organismo.
  Mas o que exatamente é o Operon Lac? Bom, ele é um grupamento de genes que possuem um único promotor para o mRNA, e esses genes codificam proteínas que são capazes de usar a lactose como fonte de energia. Vale lembrar que, como foi dito anteriormente, a lactose pura não é muito agradável, logo, na presença de açúcares melhores, como a glicose, é preferível a utilização destes, o motivo real é que a glicose precisa de menos etapas e menos energia para ser quebrada.

COMO É ESTRUTURADO O OPERON LAC?

 Se você for um humano comum que caiu de paraquedas aqui, certamente não entendeu nada dessa imagem (se entendeu, a Bio-Logic te venera), ainda mais se o inglês for um inimigo, e não um aliado. Mas fique tranquilo, caro curioso, estamos aqui para fornecê-lo o conhecimento de uma forma lógica e de fácil compreensão, então vamos lá!
  Começando pela RNA Polymerase (RNA Polimerase, no português), que por ter o sufixo “-ase” nos permite compreender que estamos tratando de uma enzima (proteína que atua na degradação ou formação de componentes). Ela é necessária para iniciar a transcrição no operon lac, lembrando que a transcrição e a tradução são etapas importantes para a síntese proteica. O problema que temos à primeira instância é que sozinha, a RNA Polimerase fica perdida, é incapaz de seguir os caminhos necessários para sintetizar as proteínas, logo, ela precisa de alguém para sinalizar onde ela pode iniciar seu trabalho, este é o papel do Promoter (Promotor).
  Seria muito simples se quando a enzima se ligasse ao Promotor ocorresse um “Boom” e o mRNA fosse formado já preparado para sintetizar as proteínas necessárias para quebrar a lactose, mas o Operon Lac é um mecanismo de regulação, logo essa síntese precisa ser administrada, para que não haja caos no sistema. O que queremos dizer é: seres procariontes prezam pela economia de recursos e energia para que seja possível sobreviver em ambientes escassos, e não seria possível economizar caso enzimas continuassem a ser produzidas até mesmo na ausência de lactose no meio. Para isso, o Operon Lac possui dois mecanismos reguladores que influenciam diretamente na produção de enzimas: o Repressor Lac e a CAP.
  Quando não há lactose no meio, o Repressor Lac (Repressor) se liga ao segmento do DNA chamado Operador. Com a presença do repressor, a RNA Polimerase é bloqueada, não chega aos genes estruturais, nenhum mRNA é formado e não há síntese proteica. Entretanto, se surgir lactose no meio, como o repressor se comportaria sob a necessidade bacteriana de produzir as tais enzimas ? A resposta é simples: a lactose existe no meio junto com seu isômero, a alolactose. A alolactose é capaz de se ligar ao Repressor Lac e alterar sua conformação, fazendo com que este se desligue do operador. Sem o bloqueio, a RNA Polimerase consegue voltar a seu trabalho e a bactéria volta a produzir enzimas lactase.
  Outro regulador é a proteína ativadora de catabólito (CAP), sendo esta responsável por auxiliar a ligação da RNA Polimerase ao promotor, aumentando os níveis de transcrição. Porém, se essa proteína apenas ajuda na produção de mRNA, como assume função reguladora ? A CAP não está sempre ligada ao seu sítio ativo no DNA, na verdade, a presença dela no Operon Lac é influenciada por uma pequena molécula chamada AMPc. Essa molécula, que se liga a CAP permitindo que esta por sua vez se ligue ao DNA, se torna muito presente na ausência de glicose no meio e pouco presente em altos níveis de glicose. Ou seja, dependendo da quantidade de glicose presente, pode haver mais ou menos formação de lactase. Essa lógica permite que a quebra da lactose só ocorra depois da bactéria ter utilizado toda a glicose no ambiente para gerar energia, já que a glicose é sua fonte de energia preferida.
 

  O Operon LAC possui ainda 3 genes estruturais, que é onde a RNA Polimerase precisa chegar para transcrever seu mRNA : LacY, LacZ, LacA.

·         A Lacz codifica a enzima responsável por quebrar a Lactose em dois monossacarídeos: a galactose e a glicose.
·         A LacY codifica a enzima responsável por permeabilizar a membrana celular, permitindo que a lactose seja absorvida pela célula.
·         A LacA ainda é pouco compreendida, mas se acredita que esta também esteja envolvida no metabolismo e absorção da lactose como energia para a bactéria.
  Com estas ideias em mente, as imagens acima, que para um leigo podem ser confusas e enigmáticas, se tornam mais coerentes e até ajudam a compreender o complexo mecanismo de regulação de genes dos seres procariontes. É sempre bom ter em mente que entender o funcionamento de genes bacterianos pode permitir o tratamento de diversas doenças associadas a ação gênica de microrganismos no corpo humano.

Bibliografia:
5.       Bergmann, D. C. (2011). Gene regulation: How to only make RNA (and protein) at the right time and place. In BIO41: 2011 Molecular biology lectures on DNA, RNA and biotechnology (pp. 9-13).